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23/09/2014
Entrevista Carlos Augusto Gama - Revista TÉCHNE EDIÇÃO 167
Entrevista Carlos Augusto Gama -  Revista TÉCHNE EDIÇÃO 167 Entrevista sobre Lajes Planas Tensionadas a Revista Téchne Edição 167
01. Em São Paulo, principalmente, talvez até por falta de cultura com este sistema construtivo, as lajes planas protendidas são questionadas, devido à suposta falta de rigidez do sistema? Isso é verdadeiro?
As lajes planas maciças ou nervuradas,são lajes sem vigas de borda e vigas internas, que nos sistemas estruturais convencionais formam um reticulado de barras em conjunto com os pilares, definindo pórticos espaciais. Nos sistemas de lajes planas, os núcleos de estabilidade, formados por paredes estruturais (shear walls) junto com as lajes tensionadas e os pilares, formam o sistema de rigidez para suporte das forças horizontais (ventos, sismos) e verticais (forças gravitacionais).Portanto não é verdadeira a afirmação da falta rigidez do sistema.
02. A execução das lajes planas protendidas põe em risco a segurança estrutural da edificação?
A execução das lajes planas “tensionadas” aumentam a segurança da edificação por utilização de materiais de alta resistência tais como as cordoalhas para protensão CP 190 RB , comprovados por utilização de mais de 15 anos no Brasil e mais de 50 anos nos Estados Unidos e outros paises .
03. É verdadeiro que, sob um enfoque rigoroso, os cálculos das lajes planas não passariam pela atual norma de estruturas - a NBR 6118?
O cálculo das lajes planas tensionadas atende os requisitos da NBR – 6118 para os itens do concreto armado e da NBR 8800 para estruturas mistas de aço e concreto de edifícios.
04. O senhor acredita que há um desnível ainda muito grande nos processos de projeto de estruturas protendidas no Brasil comparado a outros países?
Não, o que falta ainda no Brasil é uma maior divulgação das obras e pesquisas realizadas nestes últimos 15 anos. Nossa empresa sempre buscou inovações tecnológicas tanto na concepção de estruturas como também no processo de desenvolvimento dos projetos estruturais. Há alguns anos atrás, o maior problema com a concepção de projetos estruturais, não somente os que são no Sistema Tensionado , mas também nos demais sistemas convencionais, sempre foi da falta de compatibilidade entre os demais projetos, Nossa solução veio quando passamos a utilizar o sistema BIM (Building Information Modeling) para alem de desenvolver nossos projetos , também verificar as demais disciplinas em uma compatibilização completa em que se concebe o projeto criando uma construção virtual, sanando qualquer problemas de interferências com os cabos tensionados que ficam embutidos nas lajes.
 
 
 
 
 
 
05. Em que situações a laje plana protendida não pode ser aplicada?
Na verdade não existem restrições, ainda mais que um sistema de lajes lisas e com maior vão entre pilares so pode ajudar em um projeto qualquer que ele seja. Como exemplo no Brasil já está sendo aplicado, em edifícios altos (de 20 a 40 pavimentos) comerciais, residenciais, industriais, shopping centers, hospitais, edifícios garagens, radier de programa habitacional (minha casa minha vida) .
 
06. As lajes planas protendidas se deformam muito mais do que outras estruturas de mesmo porte? Esse efeito plástico pode ser perigoso?
Pelo contrário, as lajes planas tensionadas deformam menos em relação as lajes de concreto armado, com vãos equivalentes. As cordoalhas engraxadas funcionam com os cabos tensionados (tirantes) ancorados nas extremidades das lajes, minimizando deformações plásticas ao longo do tempo.
07. A tecnologia de protensão - aderente ou não aderente - faz muita diferença no caso de projetos de lajes planas?
O concreto protendido utilizado em construção pesada (viadutos, pontes e etc.) é utilizado com multicordoalhas aderentes, com bainha para injeção após o tensionamento.
As lajes planas protendidas, com cordoalhas aderentes, com bainhas metálicas, são diferentes das lajes planas tensionadas tanto na execução quanto no projeto estrutural.
 
08. Para que a estrutura tenha uma rigidez maior, é necessário que a laje plana tenha algum tipo de contraventamento ou meio para compensar o efeito elástico?
Sim, os núcleos de estabilidade com paredes e pilares de contraventamento (shear walls).
 
09. As estruturas com lajes planas são mais econômicas em comparação com lajes convencionais? Quais os ganhos que se pode obter com o sistema sem por em risco a segurança estrutural?
A grande diferença é na área de formas e na mão de obra de (carpinteiros e armadores)pois o sistema é mais industrializado com a possibilidade de utilização de pilares pré-fabricados de concreto ou metálicos (sistema misto).Alem de velocidade na execução tem-se um grande ganho pelo fato de não existirem vigas ou lajes com espessuras desproporcionais, que são elementos que muitas vezes impõe limites em concepções arquitetônicas.
 
 
 
10. Os coeficientes de segurança de lajes planas protendidas devem ser analisados diferentemente das lajes convencionais?
Os coeficientes de segurança são os mesmo das estruturas convencionais (lajes, vigas e pilares).
11. A norma NBR 6118 não compreende este tipo de alternativa construtiva? Existe uma desatualização do meio técnico em relação ao sistema?
A NBR 6118:2003 cita somente lajes protendidas utilizando praticamente o mesmo método de cálculo para cordoalha aderente e não aderente.